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Mundo

Publicada em 18/08/16 as 15:45h - 136 visualizações
Menino egípcio viaja por 10 dias no mar para ir à Itália salvar o irmão
Garoto de 13 anos ganhou as manchetes italianas com sua história heroica e conseguiu que irmão recebesse tratamento médico.

g1.com

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Mediador da OIM Ahmed Mahmoud em Lampedusa, na Itália, durante desembarque de migrantes (Foto: Francesco Malavolta/OIM)  (Foto: Francesco Malavolta/OIM)

Um menino migrante de 13 anos ganhou as manchetes desta quarta-feira (17) na Itália, com uma história heroica que teve, até agora, um final feliz.

Ahmed foi resgatado há quatro dias dentro de um bote no Mediterrâneo com outra centena de migrantes. Partira do Egito sozinho e chegou à Itália com um único objetivo: salvar seu irmão menor, Farid, 7, que sofre de uma doença no sangue.

Ao desembarcar na ilha italiana de Lampedusa trazia apertando nas mãos um papel dentro de um saco plástico: era o certificado de saúde do irmão atestando seu caso de trombocitopena, ou plaquetopenia (redução das plaquetas no sangue).

A família confiou a Ahmed todas as economias que tinha, trabalhando no plantio de tâmaras, e um tio ajudou a pagar os atravessadores, negociando seu único terreno. O menino partiu do vilarejo de Rashid Kafr El Sheikh, a 130 km do Cairo, escondido em um caminhão que transportava animais. Alguns dias depois conseguiu chegar à cidade portuária de Alexandria.

"Foram dez dias no mar, porque o trajeto partindo do Egito é mais longo do que da Líbia", disse à BBC Brasil Ahmed Mahmoud, funcionário da OIM (Organização Internacional para a Migração) em Lampedusa. Mahmoud, também egípcio, foi justamente quem primeiro ouviu a história do xará Ahmed.

Parte dos imigrantes chega à Itália por Lampedusa, onde muitos botes e barcos são abandonados (Foto: BBC)Parte dos imigrantes chega à Itália por Lampedusa, onde muitos botes e barcos são abandonados (Foto: BBC)

"Falei com a mãe dele por telefone. A família é muito pobre e o hospital mais próximo de onde moram fica a quatro horas de distância", contou Mahmoud. Desde a chegada de Ahmed, ele está sempre com o menino, agora abrigado em um campo de acolhida em Lampedusa.

"O custo de cirurgias e tratamentos médicos no Egito é muito alto. Até os remédios custam muito caro lá", explicou Mahmoud. Segundo Ahmed lhe contou, o custo da primeira cirurgia do irmão seria de 30 mil liras egípcias (cerca de 4 mil euros, ou R$ 14,5 mil) e os exames não saíam por menos de 500 euros (R$ 1,8 mil). O trabalho de todo um ano da família do menino na colheita, porém, rende cerca de 3 mil euros (R$ 10,8 mil).

A história de superação de Ahmed virou destaque desta quarta-feira no jornal "Corriere della Sera", um dos maiores da Itália, e rapidamente se tornou viral. O premiê italiano, Matteo Renzi, também leu a história e colocou o sistema de saúde de prontidão, lançando um "apelo à acolhida e cura". Um hospital da região de Florença respondeu oferecendo tratamento para Ahmed e apoio para a família.

"Amanhã (quinta-feira) Ahmed parte para um centro de acolhida de menores em Agrigento, na Sicília. Está muito contente depois de saber das novidades", afirmou Mahmoud.

Segundo dados da OIM, entre janeiro e junho deste ano, 7.567 crianças migrantes desembarcaram nos portos da Itália (Foto: BBC)Segundo dados da OIM, entre janeiro e junho deste ano, 7.567 crianças migrantes desembarcaram nos portos da Itália (Foto: BBC)

Frequentes, os desembarques de migrantes na ilha de Lampedusa trazem cada vez mais crianças. "Ontem (terça), outras 900 pessoas foram trazidas para Lampedusa, entre elas cerca de 50 crianças sozinhas, muitas delas egípcias", contou à BBC Brasil o médico Pietro Bartolo, responsável pelo ambulatório de Lampedusa.

Ele também explicou que não é a primeira vez que a intervenção do Ministério da Saúde acontece.

"Outro dia também chegou aqui um menino com a mãe, que precisava de tratamento médico, e eles foram encaminhados para um hospital em outra parte da Itália. São muitas crianças chegando agora", acrescentou.

Segundo dados da OIM, entre janeiro e junho deste ano, 7.567 crianças migrantes desembarcaram nos portos da Itália. Cerca de 92% eram menores não acompanhados; cruzaram sozinhos o Mediterrâneo ou perderam seus parentes durante o trajeto. A maioria deles parte do Egito, Gâmbia, Guiné-Conacri e Costa do Marfim.




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